Viver de Fé

Por Matheus Silva de Paula

Viver de Fé

Viver de Fé

“Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé.” (Rm 1,17)

 

 

Viver de fé é perder a vida – eis aí a verdade! A verdadeira vida é a que está por vir; é o resultado da entrega total à vontade do Pai.

É preciso desapegarmo-nos das coisas materiais, não as colocando em primeiro lugar, já que aí só pode estar Deus, Uno e Trino, e nada mais. É preciso que deixemos a nós mesmos, os nossos desejos, os nossos vícios, pois tais coisas nos afastam dos ideais de amor e fé, tão necessários para a união com Deus. 

Quando focamos nossa vida nestes ideais, apoiados na Santa Igreja, nos exemplos dos Santos, e, principalmente, com os olhos voltados para a Cruz de Cristo, atravessamos o caminho estreito que nos leva ao Céu. Não há outro meio. Não há como chegar a Deus sem abraçar a vida santa. 

Viver de fé não é outra coisa senão viver como Cristo, que foi fiel e submisso ao Pai, até mesmo na hora de Sua Paixão“…Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.” (Mt 26,39) Viver de fé é fazer a vontade do Senhor, independente de qual seja ela. É orgulhosa a alma que supõe saber o que é melhor para si, e é tolo o homem que tenta escrever as linhas de sua própria vida. Acaso não é o Senhor o criador dela e de tudo o que há? E, que somos nós, senão pó? “…porque és pó, e pó te hás de tornar.” (Gn 3,19) diz o Senhor.

Deve o cristão seguir em sua luta diária contra o mal sem fechar os olhos para o que acontece à sua volta. Não deve desprezar os problemas e as dificuldades da vida, e sim acolhê-los para unir o próprio sofrimento ao de Cristo. Que venham os sofrimentos: Deus nos dará forças para suportar. O mundo é a chance que o cristão tem de glorificar o Senhor Deus com a própria vida. Por isto não podemos desperdiçar esta única chance zelando do corpo e olvidando a alma. Ela precisa de alimento! A fé é o suprimento da alma, e através dela nos tornamos imitadores de Cristo. 

“[…]Quando Deus, o Pai dos seres espirituais, fala à sua criatura, como seu desígnio é elevá-la acima de si mesma e de fazê-la participar, não mais de uma simples verdade natural, e sim de uma verdade de natureza divina, portanto superior à natureza humana, em outros termos, sobrenatural, o homem não encontra mais em sua natureza capacidade suficiente para receber um ensinamento que o excede e que vença a distância de Deus ao homem.

Então, se Deus quer que acreditem em sua palavra, é absolutamente necessário que eleve até Ele mesmo, quer dizer sobrenaturalmente, a faculdade natural que o homem tem de crer. E quando Deus concede este benefício ao homem, dizemos que Ele lhe deu a graça da Fé.”[1] 

A fé é dom de Deus. E, como não é de natureza humana, é a Deus que devemos suplicar que nos aumente a fé: 
A alma não pode se abater em meio às noites escuras da vida, pois, enquanto todos à nossa volta igualmente se abatem ou adormecem, o nosso dever é o de vigiar e orar sem cessar. 

O santo vive à espera do seu amado; e quando não pode mais segurar a saudade, corre à sua procura, buscando a luz que há de clarear sua noite escura. A fé mostra o caminho que conduz ao esposo adorado.
E assim, buscando o seu amado, a quem o mundo rejeita, a alma vai crescendo em sua fé, este dom tão precioso, e assim vai gerando frutos ao longo do caminho. Estes frutos são suas obras, feitas não para a própria glória, mas para que seja bendito o nome do Senhor. E assim a alma vai se alegrando, conforme sua fé a faz se aproximar de Cristo, e sua vida se torna motivo de glória para o Pai.

Levado, então, pela fé, o homem vai trilhando o rastro do amado até chegar ao local do encontro, da união entre a alma sedenta, e o Salvador Piedoso: a Cruz. A hora desejada tão ardentemente pela alma chega, e aí termina a sua noite, que dá lugar à luz intensa do Divino Esposo.

Para que um dia cheguemos a ter tal encontro com o Senhor, é preciso que pautemos toda a nossa vida n’Ele, e entregarmo-nos totalmente a Ele. Deixar que Deus conduza a nossa vida é fazermo-nos instrumentos de Sua ação no mundo, e assim, viver somente para Ele. Devemos então conhecer a nossa fé, a fé que nos foi deixada por Cristo através de Sua Igreja, para assim crescermos nela, e vivermos somente dela. Garantir o depois só depende do nosso agora. 

Sendo assim, um homem vazio jamais se abrirá à ação de Deus, e receberá conforme seu endurecimento de coração para Ele. O justo, ao contrário, enche-se de fé, dá frutos, e assim faz de sua vida uma oferta agradável a Deus.

Peçamos a Deus, sempre que nos encontrarmos fracos, que nos ajude a viver sempre de fé, para que assim, atinjamos um dia, a tão desejada santidade. E, como Santo Agostinho, que afirmou: “Só a fé podia curar-me”[2] , reconheçamos na fé, a cura para toda a cegueira mundana e todo o endurecimento de coração. O justo viverá pela fé. [3]

Notas:
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[1] ANDRÉ, Pe. Emmanuel. Apostolado Sociedade Católica: Cartas Sobre Fé. Disponível emhttp://www.sociedadecatolica.com.br/modules/rmdp/down.php?id=8 desde 28/11/2008.
[2] HIPONA, Santo Agostinho – Bispo e Doutor. Apostolado Sociedade Católica: Figura de Ambrósio – Disponível em:http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=287. Desde 19/07/08.
[3] Romanos 1,17.

PAULA, Matheus Silva. Apostolado Sociedade Católica. Blog Et Verbum. Viver de Fé. Disponível em: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=460 e em:  https://etverbum.wordpress.com/2009/02/20/viver-de-fe/ desde 19 e 20/02/2009.

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