A Trindade

Santíssima Trindade

Santíssima Trindade

Por Ana Maria Bueno Cunha

Fonte: Sociedade Católica

 

No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada foi feito (Jo 1,1). Cristo é o Verbo incriado, o Deus unigênito que assume nossa condição humana e nos oferece a possibilidade de sermos filhos de Deus. Para Ele todas as coisas convergem e por Ele a criação foi ordenada e a humanidade restaurada.

 

 

 

Literalmente Jesus é o Filho amado do Pai, o Filho único, não é mais um, nem sequer o mais excelente de tantos filhos adotivos, mas com toda propriedade e força, Ele é verdadeiramente o Filho de Deus, o Unigênito, absolutamente distinto pela sua condição divina dos outros homens.

 

Veio para estabelecer o Reinado de Deus sobre eles, reinado que é justiça, amor, graça, retidão e, sobretudo, vida em abundância e eterna, já que ele não terá fim. Veio para elevar o homem à sua dignidade de filho que havia perdido pelo pecado.

 

O Pai envia o Espírito para manifestar o Filho e este veio para salvar os homens, puro dom de Deus, amor gratuito que não olha as faltas, mas que se compadece e age. A Santíssima Trindade realiza a obra da redenção, realiza o que somente o amor pode realizar e somente Deus, que é amor, o pode fazer.

 

“Com grande propriedade a Igreja costuma atribuir ao Pai as obras em que brilha o poder, ao Filho as que brilham em sabedoria, ao Espírito Santo as que brilham o amor […] O Pai, que é o princípio de toda a Trindade é causa eficiente de todas as coisas, da Encarnação do Verbo e da santificação das almas, d’Ele são todas as coisas: d’Ele, porque Pai. Já o Filho,Verbo imagem do Pai é a causa exemplar da qual todas as coisas refletem a forma e a beleza, a ordem e a harmonia; Ele que é para nós o Caminho, a Verdade e a Vida, aquele que reconcilia o homem com Deus, por Ele são todas as coisas,por Ele, porque Filho. O Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, porque da mesma forma que a vontade e todas as coisas em geral encontram repouso em seu fim, assim Ele, que é a bondade e caridade que reúne entre o Pai e o Filho …completa e termina as obras arcanas em vista da salvação do homem; n’Ele são todas as coisas: n’Ele, porque Espírito Santo (Denzinger n.3326 – Encíclica “Divinum Illud Munus – Papa Leão XIII).

 

Que é homem, Senhor, para cuidardes dele? Que é o filho do homem para que vos ocupeis dele? (Salmo 143, 3-4). Jesus veio ao mundo trazer a Boa Nova, o feliz anúncio. Ele não trouxe ao mundo uma nova doutrina filosófica, nem um projeto de reformas sociais, tampouco a consciência dos mistérios do além. Jesus transformou pela raiz a própria relação do homem com o Eterno, mostrando abertamente a todos a face de Deus, que antes mal se podia vislumbrar. Mostrou o agir e a vontade do Pai e por isto deu a conhecer o pensamento e a vontade de Deus. Sua boa nova fala precisamente desta vocação sublime do homem e da alegria que vem da união com o criador, sim porque o homem só se entende a partir de Deus e só quando vive na relação com Deus é que sua vida é correta, nos diz nosso amado Papa Bento XVI [RATZINGER, Josefh: Bento XVI: Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007. p. 121]

 

Jesus veio mostrar que esta união pode ser de cada pessoa com Deus, porque o amor de Deus por cada um é totalmente pessoal e traz em si um mistério de unicidade. Sua pregação não se dirige às massas, ao formigueiro anônimo, mas às pessoas, uma a uma. No meio da multidão, o nível espiritual do homem decai, fica ao sabor dos instintos do grupo. É por isso que Jesus dá importância ao destino dos indivíduos, porque cada homem tem em si um mundo inteiro, este homem que foi criado pelo Pai, com um pé no chão e outro na eternidade. Um indivíduo que tem sede das coisas eternas, que tem um espaço em seu coração que enquanto não for preenchido pela presença, pela inabitação de Deus, não descansa e cumpre seu fim. Onde Deus não está, nada pode ser bom; onde Deus não é visto, o homem arruína-se, e arruína-se o mundo.

 

“Tão tarde vos amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tão tarde Vos amei! Vós estáveis dentro de mim, mas eu estava fora, e fora de mim Vos procurava; com o meu espírito deformado, precipitava-me sobre as coisas formosas que criastes. Estáveis comigo e eu não estava convosco. Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós. Chamastes, clamastes e rompestes a minha surdez. Brilhastes, resplandecestes e dissipastes a minha cegueira. Exalastes sobre mim o vosso perfume: aspirei-o profundamente, e agora suspiro por Vós. Saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede de Vós. Tocastes-me e agora desejo ardentemente a vossa paz” (Santo Agostinho, Confissões).

 

Jesus quando fala do rebanho, não fala no todo, mas olha por cada ovelha individualmente, elas ouvem sua voz e isso é intimidade, identificação e é exatamente por isso que Jesus ia a todos indistintamente, não levando em conta suas grandes culpas e seu afastamento do Pai que os fazia sofrer, porque se perderam do caminho. Jesus foi o primeiro a falar do Pai que qualquer humano pode encontrar, basta querer e deixar-se conduzir pela voz que o chama em seu íntimo. Mas o Pai tem uma característica maravilhosa que é de ter um amor que não se impõe e que resguarda a liberdade humana. Deus é o dono da casa e convida todo homem a sentar-se à sua mesa. Tem um lugar para cada um que o reconhece como Pai e Senhor de tudo que há e tem os braços abertos na espera de todos, porque para Ele o pecado não constitui mais um problema, Ele o sanou ao enviar seu Filho, mas espera que cada um escute sua voz, o seu chamado permanente e incansável, para que possam ter a vida que Ele oferece gratuitamente. Puro dom, puro amor!

 

“A verdadeira liberdade é a marca por excelência da imagem de Deus no ser humano. Pois Deus quis deixar o homem nas mãos de sua própria decisão, para que busque a si mesmo o seu Criador e aderindo a Ele, plenamente chegue á plena e a beatífica perfeição” (cf Gaudium et Spes – Igreja no Mundo).

 

Este homem tem duas opções: – pode rejeitar, ignorar o convite para sua própria ruína e tais atitudes têm origens diversas como a revolta contra o mal do mundo, a ignorância ou indiferenças religiosas, as preocupações das coisas do mundo e com as riquezas, o mau exemplo dos cristãos, as correntes de pensamentos hostis à religião, e finalmente essa atitude do homem pecador que por medo, se esconde diante de Deus e foge diante do seu chamado; ou aceitá-lo, ouvindo a sua consciência, sim, porque no fundo dela, o homem descobre uma lei que ele não se dá a si mesmo, mas à qual deve obedecer. Essa voz que sempre o chama a amar, fazer o bem e a fugir do mal, soa no momento oportuno, na intimidade de seu coração: – faze isto, evita aquilo. O homem tem no coração uma lei inscrita pelo próprio Deus: a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado; a consciência é o centro mais secreto e o santuário a sós com Deus, cuja voz se faz ouvir

 

Jesus convida a todos, e para tanto o Pai se utiliza do seu divino Espírito, este que é Deus, a saber, a maravilhosa terceira pessoa da Santíssima Trindade, porque ninguém pode dizer Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo. (I Cor 12,3)

 

Como ouvir este Espírito e como Ele age em nós para nos tornarmos santos e irrepreensíveis diante do Senhor? Ele que é nosso advogado, nosso consolador, o Espírito da Verdade. Ele que é um Deus oculto que não se revela a Si mesmo, mas somente aponta para outro tão sublime e tão importante quanto Ele e que se faz conhecer na pessoa do Verbo? Que atua desde sempre porque também estava junto de Deus na criação, manifestando-se nos profetas e agora na edificação e sustentação da Igreja onde todos poderão encontrar Aquele que Ele revela? Sim! Porque Ele desvenda Cristo, mostra-nos sua face e muito mais, mostra seu coração e sua obra redentora e com total poder e força age nos corações humanos para atraí-los a Cristo Redentor, e muitos, para alegria de Deus e para o seu próprio bem, sucumbem à sua voz para sua própria salvação.

 

Ele que inspirou as Escrituras, que agiu na Tradição tendo testemunhas tantos Padres maravilhosos, que assiste ao Magistério da Igreja, não o deixando errar, o capacitando a somente mostrar o verdadeiro caminho, que age na liturgia sacramental nos colocando em comunhão com Cristo; Ele que está na oração intercedendo por cada um de nós, que ora por nós e nos conduz a rezar com a Igreja sempre! Que distribui os carismas para que se coloque a serviço desta Igreja maravilhosa onde irradia Cristo no serviço aos irmãos. Como ouvi-lo, onde Ele se encontra, como Ele age? Nela o encontramos e é para Ela e para a pessoa de Cristo sua Cabeça, que o Espírito age impulsionando a todos. Todo homem há de se chegar a Ela para encontrar Cristo e conseqüentemente encontrar a vida.

 

Quando Jesus é glorificado, juntamente com o Pai, envia o Espírito aos que crêem n’Ele para que possam viver no Cristo e para o Cristo. E por Ele Deus pode fazer novas todas as coisas, Ele que ficará conosco para sempre, permanecerá conosco, nos ensinará tudo e nos recordará o que Cristo nos disse e d’Ele dará testemunho, e sempre levará os homens à verdade e sempre glorificará Cristo, o Senhor de todos.

 

O Espírito que unge o Filho é o mesmo que o Filho envia juntamente com o Pai para revelá-lo aos homens. E o dia glorioso de sua vinda – chamado Pentecostes – ficará marcado para sempre até que Cristo tenha entregue tudo e todos ao Pai, já que se consumou a vontade divina. Diz as Escrituras, que ao vir sobre os Apóstolos, o Espírito se manifestou em forma de vento e ruído mostrando sua presença e na forma de línguas de fogo distribuídas sobre eles, mostrando que Espírito Santo ilumina a inteligência dos discípulos fazendo-os compreender tudo que o mestre havia dito e ensinado, os inflamando de amor, eliminando os medos e dando-lhes todo destemor para anunciar e falar em Nome de Cristo dá a eles forças e sabedoria para continuar aqui sua obra, conduzindo visivelmente a Igreja, esposa santa do Senhor.

 

“Repartidas, pois, provinham de uma mesma fonte; para que aprendas que o poder vem do paraclito” (Bíblia de Navarra – São João Crisóstomo Homilia Sobre Atos, p. 67)

 

O maravilhoso é que o pentecostes não foi um fato isolado na vida da Igreja. “Temos o direito, o dever de vos dizer que o pentecostes continua. Falamos legitimamente de ‘perenidade’ do pentecostes. Sabemos que cinqüenta dias depois da Páscoa, os Apóstolos, reunidos no mesmo Cenáculo que tinha servido para a primeira Eucaristia e onde depois se realizou o primeiro encontro do ressuscitado, descobrem em si a força do Espírito Santo, que desceu sobre eles, a força d’Aquele que o Senhor tinha prometido repetidamente pelo preço do Seu padecimento numa Cruz; e fortes com essa fortaleza, começaram a atuar, isto é, a realizar o seu serviço (…). nasce assim a Igreja apostólica. Mas ainda hoje – e aqui está a continuidade – a Basílica de São Pedro em Roma e cada templo, cada Oratório, cada lugar onde se reúnem os discípulos do Senhor é um prolongamento do primitivo cenáculo” ( Bíblia de Navarra p. 69 – João Paulo II, Hom. 25 – V – 1980).

 

Com o sopro do Espírito, nasceu na Igreja, a palavra, o testemunho, o anúncio da salvação em Jesus ressuscitado, e naquele que escuta o anúncio nasceu a fé e com ela uma consciência de nova vida, e para não diminuir este fluxo divino nasceu o apostolado, o sacerdócio. E no meio deste nascimento, aparece um homem, entre tantos, turrão, duro, calejado, mas com um coração grandioso capaz de amar até o fim – Pedro – quem poderia compreender tal mudança num homem assim? Ora! São João Crisóstomo nos ajuda a entender, porque compreendeu a força do Espírito que faz novas todas as coisas. ”Ouvi pregar e discutir com valentia, escreve, entre as massas de inimigos, aquele que pouco antes se assustava diante da palavra de uma simples criada! Esta ousadia é uma prova significativa da Ressurreição do seu Mestre, pois Pedro prega entre homens que zombam e se riem do seu entusiasmo (…). A calúnia ( estão cheios de vinho doce) não perturba o espírito dos Apóstolos; os sarcasmos não diminuem a sua coragem, pois a chegada do Espírito Santo fez deles homens novos e superiores a todas as provas humanas. Quando o Espírito Santo penetra nas almas, é para elevar os seus afetos e para fazer,de almas terrestres e de barro, almas escolhidas e de uma coragem intrépida (…). Admirai a harmonia que reina entre os Apóstolos” Como cedem a Pedro o encargo de tomar a palavra em nome de todos! Pedro eleva a voz e fala à multidão com confiança intrépida. Tal é a coragem do homem instrumento do Espírito Santo (…) igual a um carvão aceso, longe de perder o seu ardor, ao cair sobre um montão de palha, encontra ali ocasião de fazer sair o seu calor, assim Pedro, em contato com o Espírito Santo que o anima, estende à sua volta o fogo que o devora” (Bíblia de Navarra – Atos dos Apóstolos p.74)

 

Ali com Pedro e com o Espírito Santo que foi derramado, nasceu a esposa de Cristo, ornada com seus dons e com seu poder de levar os homens de novo ao seu encontro. Esta congregação de todos os batizados, unidos na mesma fé verdadeira, no mesmo sacrifício e nos mesmos sacramentos, sob a autoridade do Sumo Pontífice e dos Bispos em comunhão com ele. Esta que reúne o mundo reconciliado com Deus. Sim, ardemos a ela pela fé no Cristo, aceitando sua doutrina sob o olhar e o poder de nosso pastor o Papa.

 

Deus criou a Igreja de uma forma muito semelhante a criação do homem: Ele desenhou, o Corpo da Igreja na Pessoa de Jesus Cristo. Ele escolheu os seus doze apóstolos, destinados a serem os primeiros Bispos da sua Igreja. Durante três anos, instruiu-os e treinou-os nos seus deveres, e neste mesmo período desenhou também os sete canais,os sete sacramentos, pelos quais fluiriam as almas dos homens as graças que Ele ganharia na cruz. Nos deu dentre eles, a condição de nascermos de novo e perdoando nossas faltas nos fez filhos e membros de Sua Igreja. Cristo é a Cabeça do Corpo: – cada batizado é uma parte viva, um membro desse Corpo, cuja alma é o Espírito Santo

 

Quando somos batizados, o Espírito Santo toma posse de nós, de maneira muito semelhante àquela com que a nossa alma toma posse das células que se vão formando no corpo. Este mesmo Espírito Santo é por sua vez o Espírito de Cristo, que “se compraz em morar na amada alma do nosso Redentor como no seu santuário mais estimado; é o Espírito que Cristo nos mereceu na Cruz, pelo derramamento do seu sangue […]. Porém, após a exaltação de Cristo na cruz, o seu espírito derrama-se superabundantemente sobre a Igreja, a fim de que ela e os seus membros individuais possam tornar-se dia a dia mais semelhantes ao seu Salvador” (Pio XII).

 

“Pelo batismo os homens são efetivamente enxertados no mistério pascal de Cristo: morrem com Ele, são sepultados com Ele e ressuscitados com Ele (Sacrosanctum Concilium n.5). “Note-se também que se trata de um mistério recôndito, que neste exílio terrestre nunca se poderá completamente desvendar ou compreender nem explicar em linguagem humana.[…].É assim que Nosso sapientíssimo Predecessor de feliz memória Leão XIII, tratando desta nossa união com Cristo e da habitação do Espírito Paráclito em nós, muito oportunamente fixa os olhos na visão beatífica, que um dia no céu completará e consumará esta união mística. “Esta admirável união, diz ele, que com termo próprio se chama “inabitação”, difere apenas daquela com que Deus no céu abraça e beatifica os bem-aventurados, só pela nossa condição (de viajores na terra)”.(55) Naquela visão poderemos com os olhos do Espírito, elevados pelo lume da glória, contemplar de modo inefável o Pai, o Filho e o Divino Espírito, assistir de perto por toda a eternidade às processões das divinas Pessoas e gozar de uma bem-aventurança semelhantíssima àquela que faz bem-aventurada a santíssima e indivisível Trindade.(Carta Enciclica Mistici corporis).

 

Deus através desta inabitação nos dá sua graça em abundância, nos capacita a buscá-lo, a estarmos aptos e vê-lo um dia, face a face no céu! Esta esperança que nos faz buscar a graça incessantemente, porque infelizmente pelo pecado – pois ainda pecamos -, podemos perdê-la, o que constitui nossa ruína.

 

Devemos, pois, ter a maior estima pela vida da graça; é uma vida nova, uma vida que nos une e assemelha a Deus, com todo o organismo necessário à sua atividade. E é uma vida muito mais perfeita que a vida natural. Se a vida intelectual está muito acima da vida vegetativa e sensitiva, a vida cristã transcende infinitamente a vida simplesmente racional. Na verdade, esta é devida ao homem, desde que Deus se resolve a criá-lo, ao passo que a vida da graça supera todas as atividades e merecimentos das mais perfeitas criaturas. Pois quem poderia reclamar o direito de ser constituído filho adotivo de Deus, e templo do Espírito Santo, ou o privilégio de ver a Deus face a face, como Ele se vê a Si mesmo? Devemos, pois, estimar esta vida mais que todos os bens criados, considerá-la como tesouro escondido, para cuja aquisição ninguém deve hesitar em vender tudo que possui.

 

Uma vez que entrou em posse deste tesouro, é mister sacrificar tudo, antes que expor-se a perdê-lo, sendo essa a conclusão que tira o Papa São Leão Magno: “Agnosce, o cristiane, dignitatem tuam, et, divinae consors factus naturae, noli in veterem vilitatem degeneri conversatione redire” – Ninguém mais que o cristão se deve respeitar a si mesmo, não certamente por causa dos próprios méritos, senão por causa desta vida divina de que participa, e por ser templo do Espírito Santo, templo sagrado, cuja beleza não é lícito contaminar: “ Domum tuam decet sanctitudo in longitudinem dierum” (Tanquerey – Natureza da Vida Cristã – p.113).

 

Neste contexto que o homem tem que se deixar conduzir pelo Espírito, se andamos com Ele, vivamos também para Ele. O Homem em sua vida sabe que terá de lutar contra todas as concupiscências – dos olhos, do mundo e da carne – e sabe que não termina senão com a morte, luta de importância capital, pois nela se joga a vida eterna. O homem velho, este que é carnal, com as tendências más que o batismo não eliminou de nossa alma, sempre tenderá a lutar contra o novo, o homem regenerado, com tendências nobres divinas sobrenaturais que o Divino Espírito produz em nós graças aos méritos de Jesus e à intercessão da Santíssima Virgem e dos Santos.

 

Esta luta é amenizada com nossos esforços aliada à graça de Deus. A esta que devemos a vitória, mas não podemos jamais nos esquecer que as graças são dadas para o combate e não para o repouso que seria nossa ruína, e que precisamos a todo custo estarmos de pé para não cairmos,lutando contra as paixões que combatem contra nosso ser. Mas se alguém cair e pecar temos diante do Pai um intercessor, justo, santo, capaz, que se compadece e nos restitui a graça de que tanto necessitamos.

 

Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo Se encontra, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida aparecer, então também vós aparecereis com Ele na glória. (Col 3,1-4). E então poderás ouvir: ”Muito bem, servo bom e fiel; visto que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito; entra no gozo de teu Senhor” (Mt 25,21). Amém.

 

 


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CUNHA, Ana Maria Bueno. Apostolado Veritatis Splendor: A TRINDADEDisponível em http://www.veritatis.com.br/article/5598. Desde 23/02/2009.

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